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10.7.03

Companhias Majestáticas-III 
As companhias majestáticas resultaram de uma aliança muito eficaz entre os interesses dos capitais privados e as necessidades da administração política, relação particularmente atraente para as potências coloniais de finais de Oitocentos, ainda hesitantes em reinvestir nos seus domínios coloniais os resultados das colectas de impostos locais. Portugal, na esperança de que essas concessões atraíssem capitais que estimulassem o crescimento económico das colónias, começou, titubeantemente a partir de1870 e de uma forma mais decidida após 1885, a concessionar pequenas parcelas dos territórios coloniais a interesses privados exclusivamente portugueses. No caso de Moçambique, adicionalmente, a Coroa portuguesa procurava fechar o ciclo do regime dos prazos, um sistema de enfiteuse e comendas proveniente do Antigo Regime (que desenvolverei adequadamente numa outra ocasião), o qual se tinha tornado, por todo o século XIX, uma fonte acrescida de problemas sociais, económicos e até militares, chegando a pôr em causa a soberania portuguesa, nomeadamente por algumas lealdades implícitas com os interesses dos sultanatos de Zanzibar e Omã. Em finais da década de 80, todavia, tornou-se óbvio para a Coroa portuguesa que essas pequenas e limitadas concessões nos territórios mais recônditos das colónias, como a Companhia do Ophir de Paiva de Andrada, eram absolutamente ineficazes na atracção de capitais. Quando essas pequenas concessões, ainda exclusivamente nacionais, começaram a revelar a sua ineficácia, o governo português criou as condições necessárias para o estabelecimento de empreendimentos de uma outra dimensão, garantindo-lhes direitos de monopólio e atribuindo-lhes poderes de quase-soberania na ocupação e desenvolvimento coloniais. Surgiam, assim, as companhias majestáticas.

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