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23.7.03

(Parêntesis Sartriano) 
O Abrupto que me desculpe a evocação de Sartre no post «Indígenas e Nativos» mas naqueles anos dourados do estalinismo, Jean-Paul Sartre, Aimé Césaire, Frantz Fanon e Albert Camus, sim, Albert Camus, comungavam na causa da afirmação dos direitos dos povos colonizados. Dir-me-á, muito justamente, que todo esse movimento intelectual anti-colonial esquecia, por exemplo, o colonialismo soviético, do mesmo modo que o movimento dos não-alinhados e o seu empenho anti-colonial, afirmado em 1955 na Conferência de Bandung, o ignorava por completo. É certo. Como sempre, também as causas justas nem sempre podem escolher os seus compagnons de route. Aliás, está por fazer um debate em torno da questão de se saber em que momento o Partido Comunista Português ganhou, de facto, uma consciência anti-colonial. Um estudo sério sobre a extensão do PCP em Moçambique, a Organização dos Comunistas Moçambicanos (O.C.M.) — estrutura que, ao que suponho, só se dissolveria, por imposição da direcção do PCP, já nos anos 60 — muito ajudaria ao esclarecimento dessa questão [aqui fica o repto ao Estudos sobre o Comunismo].
De todo o modo, voltando a esta nota sartriana, já nos anos 70 Léopold Sédar Senghor evocaria a importância do contributo do grupo de Sartre (incluindo aí Camus) para o reconhecimento e divulgação dos ideais da negritude e, por extensão, do anticolonialismo.

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