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28.8.03

Tráfico Negreiro e Comércio Lícito 
No último quartel do século XIX o modelo de exploração económica que as potências ocidentais vinham aplicando em África assente, sobretudo, no tráfico negreiro viria a alterar-se radicalmente. O desenvolvimento industrial no Ocidente começou a exigir determinadas matérias-primas tropicais, como a borracha, o algodão, o rícino, o óleo de palma e outros, e surgiu, consequentemente, um novo pólo de interesses económicos, aquilo a que consensualmente se tem designado como a transposição do «tráfico negreiro» para o «comércio lícito». Esse novo complexo de interesses económicos acarretou a ocupação e administração efectivas, em extensão, dos territórios ultramarinos e são traçadas, então, políticas coloniais, ganhando corpo os chamados modelos de administração colonial.
Portugal, por arrastamento — quando não por imposição — viu-se obrigado a acompanhar essa viragem na política expansionista europeia e o seu papel relativamente marginal, com a subalternização dos seus interesses políticos e territoriais nas conferências sobre a questão colonial — que tiveram o seu corolário na Conferência de Berlim, em 1884-1885 — deverá ser interpretado, em derradeira instância, como o resultado do anacronismo da política colonial portuguesa, que continuava a permitir e persistir no negócio da escravatura até uma data muito tardia.

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