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19.8.03

Uma ideia de Colonialismo 
Uma definição «clássica», mesmo algo tautológica, de colonialismo apresenta-nos o fenómeno como «a relationship created when one nation establishes and maintains political domination over a geographically external political unit inhabited by people of any race and at any stage of cultural development» [Hans Kohn, 1958, «Reflections on colonialism», in Robert Strausz-Hupé & Harry W. Hazard (eds.), The Idea of Colonialism, London]. A mais completa definição de situação colonial continua a ser, contudo, a primeiramente aventada por Georges Balandier [1951, «The Colonial Situation: a theorical approach», in Pierre L. van der Berghe (ed.), Africa: Social Problems of Change and Conflit, San Francisco] já lá vão mais de 50 anos, e que, posteriormente, seria precisada por via dos seguintes operadores:
«... a dominação imposta por uma minoria estrangeira, racial e culturalmente diferente, apelando a uma superioridade racial (ou étnica) e cultural dogmaticamente afirmadas, sobre uma maioria autóctone materialmente inferior; o confrontar de civilizações heterogéneas: uma civilização industrializada, com uma economia poderosa, com um ritmo rápido e de origem cristã impondo-se a civilizações sem técnicas complexas, de economia retardada, com um ritmo lento e radicalmente não-cristãs; o antagonismo nas relações estabelecidas entre as duas sociedades que se justifica pela instrumentação a que é condenada a sociedade dominada; a necessidade, para manter a dominação, em recorrer não apenas à força mas também a um conjunto de pseudo-justificações e de comportamentos estereotipados ...»
Mais do que pelos seus limites, a definição de situação colonial acima transcrita [Georges Balandier, 1955, Sociologie Actuelle de l'Afrique Noire, Paris] vale pelas suas implicações, isto é, a possibilidade de considerar o colonialismo como uma totalidade e não um conjunto de processos independentes, resultantes de experiências sociais únicas e exclusivas. Como escreveu na altura Balandier, «nous avons préféré, à la faveur des “vues” particulières prises par chacun des spécialistes, saisir la situation coloniale dans son ensemble et entant que système». Mais, este conceito operativo desvalida a questão de se saber se houve bons ou maus colonialismos, sendo certo, contudo, que não se poderão negar as especificidades de cada situação colonial. De resto, mais recentemente, George Stocking Jr. [1991, Colonial Situations], a propósito da emrgência do pensamento antropológico em contexto colonial, chamou a atenção para a necessidade de entender o fenómeno nas suas diversas assunções objectivas no terreno: «...a pluralization of the "colonial situation"... ».

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