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16.4.04

D. Sebastião Soares de Resende, 1.º Bispo da Beira. 
O manifesto da Diocese da Beira, de 1953, transcrito no post anterior, reflecte de uma forma clara as posições nucleares da Igreja Católica quanto à política indígena, incitando à perseguição de outros cultos religiosos, defendendo a repressão de traços identitários das culturas africanas e, em simultâneo, impondo as marcas culturais europeias às populações «indígenas». É sabido que o Bispo da Beira, D. Sebastião Soares de Resende, seria o mentor no seio da Igreja Católica, já no decurso da década de 60, das posições mais críticas do regime colonial português em Moçambique. Tal inflexão explica-se, estamos em crer, porque entretanto a situação colonial tinha ganho uma nova qualidade com as manifestações proto-nacionalistas (de que o levantamento de Mueda, em Junho de 1960, é o exemplo mais paradigmático) e o início da guerra colonial. Todavia, em algumas das suas primeiras pastorais, como em «Ordem anticomunista», de 1950, já se encontram explícitas críticas ao sistema colonial português, nomeadamente ao regime de cultura obrigatória de algodão.
Sebastião Soares de Resende nasceu a 14 de Junho de 1906, em Milheirós de Poiares, uma freguesia da Vila da Feira (hoje Santa Maria da Feira), a pouco mais de 40 km do Porto. Tendo sido ordenado padre a 21 de Outubro de 1928, foi apontado pelo Vaticano como Bispo da Beira a 21 de Abril de 1943, tomando assento do lugar em 15 de Agosto do mesmo ano. Faleceu a 25 de Janeiro de 1967.
Muito activo no plano social, as suas prédicas e pastorais revelariam um crescente sentido crítico sobre a situação colonial, mais assertivo depois do seu regresso do Concílio II do Vaticano (1962-1965), onde foi o prelado português mais interveniente, com 10 comunicações num total de 35 (eram 42 os Prelados portugueses com assento no Concílio). D. Eurico Dias Nogueira, entretanto nomeado Bispo de Vila Cabral (hoje Lichinga) no decorrer dos trabalhos do Concílio, a 14 de Julho de 1964, – integrando-o só depois dessa data –, destaca as intervenções do Bispo da Beira pela diferença no «ambiente eclesiástico de então em Portugal, conservador e tradicionalista».
Na linha oposta à do 1.º Bispo da Beira situava-se o então Arcebispo de Lourenço Marques, o Cardeal D. Teodósio Gouveia, perfeito paladino da causa colonial.

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