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6.8.04

Henrique Galvão entre os Antropófagos. 
A 19 de Abril de 1947 era dada notícia de casos de antropofagia no posto administrativo de Mualama, circunscrição de Pebane, distrito da Zambézia. Tinha-se apresentado naquele posto administrativo o «regedor» Ociua dando conta da morte de cinco mulheres e ferimentos noutras três, provocados por ataques de leões, conquanto os leões tivessem, desde há muito, desaparecido daquela zona da Zambézia. Das investigações conduzidas pelo Chefe de Posto, com o auxílio da referida autoridade tradicional, junto das sobreviventes dos ataques, rapidamente se constatou que os ferimentos eram provocados por objectos cortantes e não por garras de leão; que as pegadas de retirada dos «bichos» terminavam junta à porta de palhotas de «indígenas conhecidos de há muito como feiticeiros»; finalmente, que:
«Chamados os indicados [como feiticeiros], foi tal a espontaneidade das suas confissões que o Chefe de Posto, para que não houvesse alguém que suspeitasse que tais confissões haviam sido arrancadas com violências, teve o cuidado de fazer assistir aos interrogatórios vários europeus (…) Assistiu também a esses interrogatórios, o Exm.º Sr. Inspector Superior da Administração Colonial, Capitão Henrique Galvão…».
Uma feliz coincidência, ou não, fez com que Henrique Galvão — que nesse mesmo ano tinha publicado na Metrópole o «romance» Antropófagos — estivesse na zona, no âmbito das suas funções como Inspector Superior da Administração Colonial, cargo para o qual for a nomeado poucos meses antes. A Inspecção Superior dos Negócios Indígenas, a funcionar no Ministério das Colónias, que tinha sido criada por decreto-lei em 20 de Novembro de 1946, também nomeava o Capitão Henrique Galvão para a sua direcção. A sua primeira «inspecção» decorreu em Moçambique, durante quase todo o primeiro semestre de 1947.

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