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14.12.04

Os Álbuns de Santos Rufino - 22: a The Delagoa Bay. 

«Escritórios da importante firma The Delagoa Bay Agency & Co. Ltda. e Garage Chrysler e deposito de alfaias agrícolas da mesma firma», em João dos Santos Rufino, Álbuns Fotográficos e Descritivos da Colónia de Moçambique, vol. III («Lourenço Marques. Aspectos da cidade, vida comercial, praia da Polana, etc.»), Lourenço Marques, 1929.




Publicidade à The Delagoa Bay publicado em João dos Santos Rufino, Álbuns Fotográficos e Descritivos da Colónia de Moçambique, vol. III («Lourenço Marques. Aspectos da cidade, vida comercial, praia da Polana, etc.»), Lourenço Marques, 1929.
Trata-se de um anúncio muito significativo, por aquilo que de histórico e premonitório encerra. Delagoa Bay era o nome que os ingleses atribuíam à baía onde cresceu a cidade colonial e durante mais de cem anos assim foi internacionalmente reconhecida. É sabido que os ingleses, por diversas vezes, disputaram aos portugueses a posse daquele território, cientes que estavam da importância das facilidades costeiras e portuárias que a baía possuía. Em 24 de Junho de 1875 o general Mac-Mahon, presidente da França, arbitrou a favor de Portugal o conflito entre o país e a Grã-Bretanha sobre a soberania da baía que os portugueses designavam de Lourenço Marques. A insistência dos portugueses em atribuírem ao local o nome do primeiro português a explorar a região, em 1544, relaciona-se com essa necessidade de «nacionalizar» um território alvo da cobiça internacional.
A baía foi «descoberta» pelo portugueses logo após a primeira viagem de Vasco da Gama à Índia, aparecendo já referenciada em 1502 no célebre mapa de Cantino. Era conhecida, nesses primeiros tempos, por Baía da Lagoa, pois acreditava-se que os vários rios que nela desaguavam provinham de uma grande lagoa existente no interior. O seu reconhecimento geográfico só viria a ser feito em 1544, no reinado de D. João III, por esse tal negociante (tratante, como se dizia na altura) chamado Lourenço Marques. A Baía da Lagoa das primeiras crónicas portuguesas sobre a região originou o topónimo inglês Delagoa Bay, nome recuperado pela principal empresa de capitais ingleses estabelecida na capital da colónia, mas cuja sede se situava em Londres.
Atente-se, todavia, no endereço telegráfico da The Delagoa Bay Agency Co. Ltd.: «Maputa», em alusão a um dos rios que desagua na baía. Em território sul-africano, de onde provém, recebe o nome de rio Usutu ou rio Maputa (em registos mais antigos) e a região do Natal que atravessa é chamada de Maputaland, mas os portugueses, seguramente devido a incómodas consonâncias fonéticas, sempre designaram o rio pelo nome de Maputo. E Maputo seria o nome que Moçambique independente escolheria para designar a sua capital.
Cabe dizer, finalmente, que a empresa The Delagoa Bay Agency Co. Ltd. manteve-se em actividade, na sua sede em Londres (depois no seu novo endereço na Hill House, 1 Little New Street) até muito recentemente. Foi dissolvida, por falência, no dia 18 de Junho de 2003, encontrando-se ainda em aberto o processo de levantamento de credores.

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