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15.12.04

Os Álbuns de Santos Rufino - 23: as largas avenidas de Lourenço Marques. 

«A Avenida Aguiar», em João dos Santos Rufino, Álbuns Fotográficos e Descritivos da Colónia de Moçambique, vol. III («Lourenço Marques. Aspectos da cidade, vida comercial, praia da Polana, etc.»), Lourenço Marques, 1929.



«A Avenida Pinheiro Chagas, vista do antigo cemitério», em João dos Santos Rufino, Álbuns Fotográficos e Descritivos da Colónia de Moçambique, vol. III («Lourenço Marques. Aspectos da cidade, vida comercial, praia da Polana, etc.»), Lourenço Marques, 1929.



«Avenida 5 de Outubro», em João dos Santos Rufino, Álbuns Fotográficos e Descritivos da Colónia de Moçambique, vol. III («Lourenço Marques. Aspectos da cidade, vida comercial, praia da Polana, etc.»), Lourenço Marques, 1929.



«A Avenida 24 de Julho, vista do Alto Mahé», em João dos Santos Rufino, Álbuns Fotográficos e Descritivos da Colónia de Moçambique, vol. III («Lourenço Marques. Aspectos da cidade, vida comercial, praia da Polana, etc.»), Lourenço Marques, 1929.

O arrojo urbanístico da cidade colonial naquela década de 20 não deixa de ser surpreendente. Largas avenidas rasgavam a emergente malha urbana de lés-a-lés, no sento longitudinal entre a Polana e o Alto-Mahé e no sentido transversal entre a baixa o «bairro indígena». É preciso lembrar, como faz notar Mário Costa no texto introdutório deste 3.º volume dos Álbuns de Santos Rufino, que viviam na cidade, em 1928, cerca de 9.000 europeus:
«Lourenço Marques, que nos seus nove mil habitantes europeus conta gente de 26 nacionalidades, é, infalivelmente, uma cidade cosmopolita. Fora de dúvida porém, que a percentagem de portugueses sobreleva, em mais de três vezes, o numero total dos habitantes europeus das outras nacionalidades, não podendo, assim, nem mesmo levianamente, empregar-se a palavra «desnacionalização» que, á primeira análise, pareceria apropriada. Também. é notável o número de indivíduos asiáticos, próximo de 3.000, e, naturalmente, maior que todos, o número de indígenas.
Não se pode dizer, pois, de Lourenço Marques, como de certas cidades, que, pelo seu aspecto geral se conhece a índole dos seus habitantes ou o seu modo de ser. Assim o não permite a sua heterogeneidade.
Vem este rápido intróito a propósito dos seus edifícios. Com proprietários de tantas nacionalidades, não podem apresentar um estilo único, antes, na maioria, muito se afastam uns dos outros: aqui, uma casa matando saudades do Portugal distante; ali, outra, absolutamente diferente, — saudades da Grécia, da Itália, da Grã-Bretanha, de um país longínquo; ainda um airoso chalé, cópia talvez de uma «vila» perdida na terra do seu proprietário; uma casa alta e ampla, estilo moderníssimo, emparelhando com uma outra, baixa e acanhada. . . sem estilo nenhum.
Não há o aspecto igual. A simetria monótona que cansa a vista e aborrece o gosto, não tem lugar nos edifícios de Lourenço Marques».

Surpreendente, de facto, o crescimento da cidade naquelas pouco mais de duas décadas. Lourenço Marques tinha em 1894 uma população total de 591 indivíduos europeus, dentre os quais 131 (22,1 %) eram de sexo feminino ; em 1912, de um total de 5.562, as mulheres europeias eram 1.768 (31,7 %). Em 1928, como refere Mário Costa, os brancos já eram 9.001, dos quais 3.515 (39 %) eram mulheres. Por essa altura, a estrutura urbana daquela que viria a ser grande cidade colonial doas anos sessenta e setenta, com mais de 70.000 europeus, já estava traçada.

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