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3.3.05

Os Álbuns de Santos Rufino - 51: a partida para as minas do Rand. 

«Inspecção médica aos indígenas que vão trabalhar nas minas do Rand», em João dos Santos Rufino, Álbuns Fotográficos e Descritivos da Colónia de Moçambique, vol. IV («Distrito de Lourenço Marques. Indústrias, Agricultura, áspectos das circunscrições, etc.»), Lourenço Marques, 1929.

Arregimentados e tratados como gado, finalmente humilhados na vistoria médica antes de embarcarem no comboio da estação fronteiriça de Ressano Garcia, centenas de milhares de homens moçambicanos rumavam às minas do Transvaal e do Rand. Desde finais do século XIX que os governos da África do Sul e de Portugal mantinham um acordo de fornecimento de mão-de-obra africana para as minas de ouro e diamantes no Transvaal e no Rand. Sucessivamente ratificado durante toda a presença colonial em Moçambique, o acordo previa, como contrapartida para Portugal, o pagamento em barras de ouro. Todos os anos um comboio sul-africano, fortemente escoltado, chegava à estação de caminho-de-ferro de Lourenço Marques com um carregamento de ouro que era, de imediato, embarcado para Lisboa. Só assim se explica que em 1974, no fim do império colonial, Portugal possuísse, nos cofres do Banco de Portugal, a 16.ª maior reserva de ouro do mundo.

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